Ser ou não ser autêntico... eis a questão. - Juliana Infurna

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Ser ou não ser autêntico… eis a questão.

Ser ou não ser autêntico… eis a questão.

Esta semana recebi um e-mail com uma notícia de mais um jovem carioca que foi assinado por homofobia. Mais um ser humano morrendo por ser quem é.

No setting terapêutico nos damos conta das consequências patológicas drásticas envolvidas na negação ou sublimação da real personalidade do Ser, sobretudo no que tange a sua sexualidade. Mas se pararmos para pensar, todos nós passamos por isso. Se tem algo que a vida não nos ensinou é a ser autênticos, verdadeiros com quem somos, com o que se passa dentro de nós.

Por sobrevivência, ao mendigar por amor dos nossos pais, nos adequamos aquilo que eles esperam de nós e depois seguimos repetindo este mesmo padrão na vida adulta para sermos aceitos, amados e reconhecidos. Nos tornamos um conglomerado de crenças, projeções e idealizações.

Já reconhecemos o mecanismo, estamos carecas de saber.
Algumas almas sentirão este doloroso chamado por autenticidade desde sempre, porém, a grande esmagadora maioria está muito confortável com as mentiras que contam para si mesmas e para os outros, essas voltarão para dentro se a própria Vida as friccionar até esse lugar.

Fato é que, independente do motivo que leve um Ser a olhar para dentro, quando ele o faz, ele toma consciência de si e passa a fazer a faxina. Só que ao promover esta cura, que passa intrinsecamente pela vulnerabilidade, ele se depara com um aspecto do seu Ser que ele não conhecia: a intuição, o chamado do coração. Tudo parece simplesmente fazer sentido e aí surge o desejo de: ser autêntico, viver a sua verdade.

Ser autêntico, como seres holísticos que somos, passa pelo desejo de manifestar no nosso exterior aquilo que se passa no nosso interior. Tornar-se íntegro diante dos papéis que executamos no dia a dia e irmos aos poucos reintegrando cada um deles.

O mundo está pronto para isso?
O mundo está preparado para pessoas autênticas?

Imagine se a partir de amanhã, todos falassem a verdade: o mundo entraria em colapso. Desejamos tanto a verdade, mas temos medo de encará-la. Desejamos seres autênticos, mas temos pavor destas pessoas que quebram padrões e buscam uma vida original. Afinal… é tão confortável viver na bolha.

Digo que a autenticidade ainda é uma jornada solitária e existe um peso muito grande envolvendo-a. Autenticidade para mim é a busca, porém, como tudo ao meu ver parece ser nesta vida: ela é um processo. Afinal, mais cedo ou mais tarde, seremos confrontados com as mentiras que contamos para nós mesmos e para os outros. De acordo com Buda, há 3 coisas que não ficam escondidas por muito tempo: o Sol, a Lua e a Verdade.

É importante que assim o seja, chegar no fim da vida e constatar que não vivemos uma vida alinhada com nosso verdadeiro Eu, deve ser um arrependimento insuportável de ser carregado. Obs: este é o maior arrependimento vivenciado pelas pessoas perto da morte, de acordo com o trabalho realizado pela enfermeira australiana de cuidados paliativos Bronnie Ware.

Mas é fato que estamos presos num emaranhado inconsciente que nos seduz, nos agride e muitas vezes faz com que desconfiemos de nossa recém descoberta verdade. Afinal, existe dentro de todos nós uma criança ferida em busca de amor, representada pelas nossas emoções que requerem acolhimento e constante manutenção pelo adulto em nós.

A autenticidade, ao meu ver, deveria ser uma busca de todos aqueles que estudam e praticam a espiritualidade, mas compreendo que ela é um processo: libertador, mas que, por justamente envolver muita desestruturação, não só pelo desbravador que opta por nadar por estas águas, mas também para os que o cercam, ela precisa ser trilhada com muito auto amor e discernimento.

Sobretudo sem cobranças e se possível, com leveza (o desafio).

A jornada pode ser solitária sim, mas encontrar almas afins que se encontram na mesma jornada pode ser um acalento e um combustível para seguir firmes a mais fortes diante deste mundo aí fora.
Também compreendo a dificuldade que muitas vezes encontramos em sermos autênticos e vulneráveis nos espaços que optamos por ancorar nossa fé para seguir, pois muitas vezes, nestes lugares, as pessoas usam a espiritualidade como uma nova máscara, idealizando padrões de “iluminação”, que acabam esquecendo que é a vulnerabilidade que nos conecta como seres humanos e que nossa maior grandeza reside na fragilidade que envolve a pequinês da nossa própria humanidade. Mas não desista.

Seja corajoso ao compartilhar seu coração. Ao fazê-lo, não importa onde estiver, você acabará atraindo as almas que lhe ajudarão no seu próximo passo.

Com fé… seguimos.

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