Eu nunca gostei de ser mulher. - Juliana Infurna

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Eu nunca gostei de ser mulher.

Eu nunca gostei de ser mulher.

Como gostar? Afinal, desde muito cedo somos expostas a situações que, ao olhar de um Ser e formação, passam a tônica que a vida será diferente para nós, infelizmente, para pior. A maioria de nós é exposta à pedófilos na infância, sofrem abusos sexuais, físicos, morais… seja pelos homens da família ou próximos a ela, pelos namorados ou posteriormente pelos colegas e chefes de trabalho.

Compreende-se muito cedo que não importa o quanto se estude ou o quão profissional você seja, no final, você é mulher e isso, hoje em dia, é significado de fraqueza, objeto sexual, inferioridade ou incapacidade. As piadinhas, as passadas de mão na bunda, os olhares pervetidos, as cantadas, a vulnerabilidade e até perigo envolvendo estar num corpo feminino numa sociedade patriarcal doente.

Incorporar a mulher-macho torna-se questão de sobrevivência neste mundo. Sublimamos o feminino (tanto homens quanto mulheres) e tudo o que o envolve pois ele é tido como lixo nesta sociedade.

Olha-se ao redor em busca de ajuda e nos sentimos sós pois todas fazem a mesma coisa. Pior, a subjugação feminina é tamanha, que elas competem entre si e ao invés de se ajudarem, se invejam. Tamanha é a dor de ser mulher neste mundo.

O arquiteto por trás destes movimentos de repressão feminina é o próprio anticristo. Sem dúvida foi o maior ganho das forças involutivas deste planeta. O consequente estupro das almas femininas nos últimos séculos é sem dúvida a raiz da falta de humanidade que presenciamos neste mundo. Isso porque mulheres se tornam mães, são uma com a Criação… a formação de um Ser começa no ventre de cada uma delas.

O dia das mães e o dia das mulheres são uma verdadeira piada. Não deveria haver dias para se comemorar isso. Provavelmente são os únicos dias do ano em que a humanidade finge valorizar a maternidade e a importância das mulheres em nossas vidas.

Comemora-se e no dia seguinte estamos lá, perguntando a uma moça numa entrevista se ela tem filhos (não há resposta certa para isso, ter é um problema, não ter também pois pode-se vir a ter) ou qual é o método contraceptivo que ela usa. Obrigamos mães a deixarem seus bebês com 4 meses de vida em creches integrais, faça chuva ou faça sol, doentes ou não, a serem cuidados por estranhos. Tratamos as mulheres como descartáveis a partir do momento em que elas se recusam a abrir as pernas por não quererem mais sexo ruim em suas vidas ou terem seus corpos sendo usados como mecanismo de alívio de estresse. Hai daquela mulher que rejeita, fere ou desafia um ego masculino. Essa cavou sua própria cova.

Mulheres vestem terninhos. Mulheres malham incessantemente para esculpir músculos (o corpo feminino idealizado atualmente no Brasil é quase um corpo de homem). Mulheres não se permitem envelhecer… pintam seus cabelos brancos, fazem plásticas. Mulheres casam por convenção. Mulheres tem filho por convenção. Tudo para preencher o vazio e a angústia de ser mulher.

Sexo? Sexo se torna moeda de troca para algumas. Outras batem ponto com seus maridos para não terem eles as perturbando, ou pior, o fazem por medo de serem traídas ou abandonadas. Algumas negam o sexo, afinal, se as pesquisas apontam que somente 20% das mulheres chegam a um orgasmo, compreende-se.

Mulheres se matam num mundo dos homens por um lugar ao Sol… em detrimento de suas almas.

O feminino está tão corrompido, estar mulher é tão insano neste mundo que é óbvio que nossas mulheres se deprimem, se tornam histéricas e neuróticas. Ao olhar da mulher e do homem macho, isso é um “pity, TPM”, toma-se psicoativos para neutralizar o ritmo, mulheres aos poucos se tornam zumbis. Menstruar? Para quê? Elimina isso também… chega de ciclos e ritmos.

Esquecemos o que significa ser mulher. Não somos homens e nunca seremos iguais a eles, precisamos abandonar o peso desta herança feminista, que nos levou a uma polaridade extrema e também deturpada.

Precisamos entender os valores femininos e equilibrá-los com o masculino. Somente homens e mulheres, conscientes dessa transformação e curando-se poderão gerar frutos para uma nova sociedade. E você mulher… assim como eu, faz parte deste movimento. Chego à conclusão que ser mulher envolve uma grande responsabilidade, quando adquirida esta consciência… sobretudo quando nos tornamos educadoras.

Logo, torna-se uma honra e passo a curtir mais ser mulher… papel que tanto ressenti durante as primeiras 3 décadas de minha vida.

Mulher, a luz que um dia lhe fizeram acreditar que você é destituída de, está dentro de você. Sua batalha é individual, silenciosa e sombria, porém, somente em união com outras mulheres e homens com este feminino curado será possível encontrar algum conforto pois a dor envolvida em ser mulher, nos dias de hoje, é tremenda, ancestral e milenar.

Não deprima, vá para fora, vamos sair para ver o Sol, juntas… o Sol também é seu, deixe-o iluminar o seu coração e aos poucos verás que não estás só.

Seguimos.

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1 Comment

  • Graziela
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    Após o texto sobre as mulheres, ficou claro que sou parte da minoria que gosta de ser mulher, adoro sexo e não fico em relaçãopor conveniência , somente se estou feliz, ainda que seguir me exija renuncia, mas me sinto poderosa e grata por ser mulher, mesmo com o peso da inveja e perseguicao.As mulheres estão desconectadas di Sagrado Femibino.G
    Grazi

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